“O maior pedido de socorro está no silêncio.”
Michele Valentim.  




“Eu sou aquela pessoa que diz pra todo mundo ter fé, ser forte e acreditar. Mas olha pra mim, eu estou um caco.”
Cartas para Deus.  

“Criei esconderijos para que pudesse recolher quando a dor viesse a minha procura.”
Peso-Leve 

Deitada na cama, tento curar as cicatrizes que estão cravadas em minha alma; são tantas que nem o próprio tempo as fez desvanecer. Eu tentei amenizar essa dor dentro de mim, mas nada do que eu faço parece resultar e a cada dia que passa se torna mais difícil suporta-la. Chorar deixou de ser solução. De facto, viver não é mais opção. Toda esta tortura me esta a sufocar. Já não sinto prazer em fazer seja o que for. Eu tentei ser forte, eu juro que tentei, mas perdi o interesse pelas coisas, por mim, pela vida… Os sorrisos se foram, juntamente com tudo o que me fazia feliz. Eu não queria vos enganar, eu não queria dizer que estava tudo bem enquanto não estava, eu não queria precisar de sorrir para esconder de vocês aquilo que me estava a entristecer, eu não me queria isolar, eu não queria ficar longe de tudo e todos, mas foi melhor assim. Afastar-me, deixar vos ser felizes, mesmo sem a minha presença. Sou apenas mais uma criança inútil, idiota, dispensável. Quando se passa a maior parte da vida a ser desvalorizada, já nada disto me surpreende. Mas não faz mal, não culpo ninguém. Até porque não interessa mesmo, ninguém quer saber, ninguém se importa com uma criança dramática. […] O sangue que escorre do meu corpo, são linhas de pensamentos. Derivam da minha imaginação, a única coisa que me resta. Loucuras que brotam do caos da minha mente obscura, que ninguém quis compreender. Mas por outro lado, no meio de tantas palavras por dizer, no meio de tanta confusão e desordem, no meio de tanta tristeza, acredito que existe um pouco de amor, ou pelo menos acreditava. Francamente já nem sei em que ou em quem acreditar. Perdoem-me! O acto de sentir não cabe mais em mim. Mas na verdade, nada mais cabe. Sou somente mais uma criatura sombria, abarrotada de cansaço, fraca. Eu tentei dizer “adeus” mas ninguém percebeu. Eu murmurei durante anos e anos, que necessitava de socorro, mas mais uma vez, ninguém escutou. Foi então que decidi dizer o meu último “adeus”. Lamentável… é uma lástima descobrir que enquanto eu respirava, era apenas um fardo na vossa vida. Durante todo este tempo, os meus olhos só contemplavam a escuridão, o quão bela era essa obscuridade, essa triste e solitária. Acreditem em mim, eu tentei viver nesta angústia durante todo este tempo, mas sufocou-me. Quanto tentei sair deste poço sombrio, já era tarde demais. As noites sem dormir começaram a fazer pressão em mim, os medicamentos deixaram de fazer efeito e eu sentia me vazia, indiferente. Acho que nos últimos tempos, me envolvi num buraco, que pouco a pouco se foi tornando mais profundo, e eu não consegui sair de lá. É triste, eu sei, mas a decisão foi minha. Ensinaram-me que quando crescesse, teria que tomar decisões, e eu cresci. Talvez não como era suposto, não como queriam… Mas eu cresci e tomei a decisão de não fazer mais parte deste mundo.